09/03/2020 às 14:00 História da Arte

EDGAR DEGAS (1834-1917)

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Edgar Degas foi um artista que esteve presente no Impressionismo, movimento francês que surgiu em um momento de mudança de mentalidade, quando o setor industrial se revolucionou, com a invenção do telefone e do avião. A pintura de ateliê estática dá lugar ao movimento, a mudança de luz e aos momentos efêmeros. Degas nasceu em 19 de Julho de 1834 em Paris, com uma vida privilegiada, era financeiramente independente. Foi incentivado pelo pai a cursar Direito para seguir administrando os negócios bancários da família, porém passava tempo demais no Museu do Louvre copiando as obras dos grandes pintores, assim seguindo para as Belas Artes, manteve esse hábito ao longo do tempo. Descrevia-se como um pintor clássico da vida moderna, trabalhava e retrabalhava as imagens que produzia, não havendo nada de espontâneo na sua arte. Era fascinado por linhas e formas, fez muitos experimentos em esculturas, gravuras, pinturas e fotografia, explorando a figura humana, principalmente a mulher. Foi instruído pelo classicista francês Dominique Ingres a desenhar muitas linhas, nunca da natureza, sempre de memória e a partir dos relevos dos antigos mestres.

Aos 22 anos mudou-se para Itália, foi morar por três anos com parentes em Nápoles, Roma e Florença. Ficou hospedado na casa de Laura Bellelli, tia paterna. Voltou para França em 1860. Teve obras vetadas em exposições em 1880, em função do tema e desprezo por pinturas históricas convencionais. Foi incentivado a arte da vida moderna devido a amizade com Edouard Manet, quando frequentava o Café Guerbois, onde também conheceu os artistas Claude Monet, Auguste Renoir e Paul Cezanne.

Explorou diversos pontos de vista e novas perspectivas. Na obra L'orchestre de l'Opéra de 1869, uma das mais conhecidas, a visão do palco vem debaixo com um grande contraste entre a parte inferior com a superior, retratando assim o amigo Désiré Dihau, fagotista da orquestra da ópera de Paris, rodeado por outros músicos, em um espaço extremamente cheio. Na parte de cima, em rosa, verde e azul, a primeira vez em que pinta bailarinas com os pés esvoaçantes, de maneira dramática, com pinceladas rápidas e soltas, como se fossem uma sinfonia, fazendo um corte extremo de suas cabeças.

Pintou também em 1869 o músico cantor espanhol e famoso tenor da ópera parisiense, enquanto seu pai o escutava tocar violão, que incentiva Edgar a expor suas obras no Salão de Paris, em favor de seus compradores, está presente no quadro  Lorenzo Pagans and August Degas.

Ficou muito conhecido por retratar bailarinas na primeira de sua série de pinturas, sendo elas a determinar o destino do artista. Mais da metade das obras de Degas tinham relação com o ballet. Em 1871 pinta a pequena e sombria tela Dance Class.

Em La Classe de Danse de 1874, retrata de maneira complexa uma aula de dança dirigida por Jules Perrot, um grande mestre e coreógrafo do ballet, com ele ao centro e as bailarinas colocadas na diagonal do quadro, na parte superior o ritmo lento marcado pelos pilares de mármore verde, seguido pelo bastão de Jules para a divisão na janela refletida no espelho, sugerindo a vida urbana ao lado de fora da sala de aula, as dançarinas retratadas nas diferentes poses, concentradas, se arrumando, conversando, entediadas, ignorando o olhar do artista e do observador, desenvolvendo uma técnica própria e virtuosidade.  Esta tela foi à mostra na primeira exposição Impressionista, na primavera do mesmo ano em que foi pintada.

O artista considera as bailarinas como criaturas com olhares distantes e maquiadas, sendo elas um pretexto para retratar as curvas dos tecidos, as formas que o corpo faz ao dançar e o movimento. Era um estranho nestes ambientes. Mostra em sua arte um recorte dos bastidores da vida contemporânea, mulheres trabalhando, de forma deslumbrante no ballet para o público da ópera, e por vezes escravizadas em outras atividades. Em 1874 pintou The Rehearsal of the Ballet on Stage em um ensaio, apresentando a realidade de uma dançarina, os corpos das bailarinas cansados e com dores.

O Impressionismo tentava provar que não existe cor local e imutável, sendo ela resultado da incidência da luz solar captada pelos olhos de quem a vê, com muito mais luz nas cores. As características da pintura são de pinceladas soltas e irregulares, uso de cores puras, colocadas uma sobre a outra na própria tela, o contorno das figuras ficam difusas, as formas são mal definidas e vagas, manchas que sugerem formas, a perspectiva por sua vez livra-se de regras da geometria e torna-se sugerida pela gradação de tons, do primeiro plano para a linha do horizonte. Algumas dessas qualidades podem ser vista na tela abaixo, La Danseuse au Bouquet Saluant de 1877.

Interessado em espetáculos tanto públicos como privados, produziu o quadro da acrobata Anna Olga Albertina Brown em Miss La La at the Cirque Fernando de 1879, ela utilizava o trapézio e era içada pelos dentes até o teto. A imagem capta a sensação do esforço físico, postura perfeita, direcionando para cima, como numa figura angelical, em um ponto de vista onde o espectador está sentado embaixo na arquibancada do circo.

Quando realizava um retrato, considerava a modelo praticamente um objeto, com objetivo de moldar formas, fazia anotações para si mesmo, de ideias a observações, nunca parou de experimentar a arte, encontrando novas maneiras de trabalhar. Lançou-se na fotografia no último período de sua carreira, foi um meio singular de produção de imagem agregando elementos novos, realizando uma série de estudos de bailarinas. Em Dancer Adjusting her Shoulder Strap de 1895, onde Julia Manet, posa por três minutos para o retrato, em uma combinação de fontes de iluminação, de forma dramática e artificial,  Edgar faz brilhar o vestido na quase escuridão.

Dancer in Blue de 1899 é um quadro ousado, com as formas sobrepostas e muito movimento, as cores são caleidoscópicas, eleva assim a pintura com pastel a uma arte maior. Um uso tardio de cores vivas simplificadas, aproxima-se das veias principais do Impressionismo, com um enfoque antecipado no Expressionismo, movimento que viria a seguir no novo século. Suas linhas e senso de experimentação, juntamente com a complexa e sombria visão da vida contemporânea inspirou artistas como Pablo Picasso.

Participou de sete das oito exposições Impressionistas, entre 1874 a 1886. Não era muito favorável ao termo adotado como título coletivo de artistas da época, se descrevia como Realista. Permaneceu retratando interiores, era míope, a luz intensa o incomodava. Quando velho descrevia a luz do sol como mais Monet do que aguentava. A obscuridade o fascinava literalmente e metaforicamente. No século XX, Edgar Degas já estava cego e surdo, sua arte atingiu popularidade porém sua produção parou. Morreu em Paris em 1917 com 83 anos.

Texto por Jessica Melinda

Revisão por Ms. Jennifer Gabriele Rodrigues

REFERÊNCIAS:

Documentários:

- The Impressionists, 1998, de Ali Ray, Phil Grabsky e Tim Marlow

- The Impressionists, 2006, de Sarah Woods

Sites:

www.wikiarte.org (galeria de imagens)

www.art-degas.com

Livros:

- Tudo Sobre Fotografia de Juliet Hacking

- Introdução à História da Arte de Kenia Pozenato e Maurien Gauer

Material Didático:

- Do Olhar Encantado ao Cérebro Pensante de Ms. Pio de Souza Santana

09 Mar 2020

EDGAR DEGAS (1834-1917)

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