Imagem capa - A ERA DAS ILUSTRAÇÕES por Jessica Melinda
História da Arte

A ERA DAS ILUSTRAÇÕES

Os jornais e folhetins passam a circular com frequência ainda no século XVIII. As publicações informavam sobre fatos e acontecimentos, noticiavam assuntos considerados importantes para a sociedade. Na segunda metade do século XIX devido a expansão das cidades e o aumento das necessidades básicas dos habitantes, a divulgação de bens vendáveis, as relações comerciais, a prestação de serviços como um todo, passou também a ser divulgada nos jornais, como propaganda.

No final do século XIX, os anúncios consistiam em texto puro, com as primeiras ilustrações, trabalho original de artistas visuais da época, este era o primeiro contato entre arte e propaganda, deixando de ser meros classificados, ganhando qualidade gráfica e tamanho. No inicio do século XX encontramos os primeiros anúncios de páginas inteiras, em até duas cores.

Entre o final do século XIX e início do XX, produtores de anúncio perceberam que a linguagem unicamente verbal, funcionava menos comparada à mensagens com ilustrações e recursos poéticos de linguagem. Escritores e poetas da época escreveram textos para anúncios, como o parnasiano Olavo Bilac.



17 de setembro de 1808: Anúncio da Gazeta do Rio de Janeiro

Depois da era dos anúncios, semelhante aos classificados de hoje, começaram a combinar longos textos com ilustrações, inspirados na art nouveau, um estilo internacional de arquitetura e artes decorativas, especialmente aplicadas à indústria, apreciada de 1890 até os anos 1920. Embalagens de produtos, cartazes e ilustrações dos anúncios publicados em revistas, traziam sedutoras figuras femininas com cabelos esvoaçantes e vestidos drapeados, figuras de pássaros e estrelas.



1905:  Água Inglesa Caxambu

Nas primeiras décadas do século XX, cresce no Brasil revistas que imitavam o padrão editorial europeu e norte-americano, com anúncios utilizando imagens, empregavam uma estratégia do poder de sedução da imagem para atrair olhares e vender mais aquele produto ou serviço, não importando se este era adequado a realidade local. Era comum que as primeiras agencias publicitárias usassem imagens de famílias que pouco ou nada se relacionavam. A ideia de uma identidade entre espectador e consumidor não era o mais importante e sim que a ilustração cumprisse seu papel de persuadir as pessoas.

Os anúncios publicitários até 1910 eram produzidos apenas por jornalistas, comerciantes, escritores e artistas. Somente em 1914 surge no Brasil a casa paulistana Castaldi & Bennaton, dedicada a distribuir anúncios para jornais e publicações. A partir dos anos 1920, agências norte-americanas como J. Walter Thompson começam a se estabelecer sistematicamente e consolidar princípios da publicidade.

A fotografia que foi desenvolvida no século XIX, não era empregada, pois era vista com desconfiança, com um olhar mais tecnocientífico do que artístico, acreditavam que seu uso em anúncios ficaria artisticamente pobres, uma vez que ilustradores e escritores conhecidos da época faziam os textos e as imagens. As técnicas de impressão fotográfica ainda estavam pouco desenvolvidas, o detalhamento das cenas ficavam comprometidos, havendo uma desigualdade técnica e de qualidade grande entre ilustrações art nouveau e fotografias produzidas para os anúncios. Nos primeiros vinte anos do século XX, a fotografia nos anúncios publicitários e jornalísticos, servia como matéria prima para os ilustradores confeccionarem seus desenhos, que eram artisticamente mais bem acabados e aceitos socialmente.

A marca inglesa de alimentos Allenburrys, publicou um anúncio na revista A Vida Moderna de 1914, com um retrato fotográfico bem realizado de uma mulher alimentando um bebê.



1914: Anúncio dos alimentos Allenburry com foto

Dez anos mais tarde, outro anúncio do mesmo produto publicado em alguns números da revista A Cigarra e no lugar da imagem foi utilizado uma ilustração produzida a partir da fotografia da mãe com o bebê. É possível que a explicação dessa substituição seja da perda da cópia fotográfica.



1924: Anúncio dos alimentos Allenburry com foto

Nas primeiras décadas do século XX, a publicidade brasileira era influenciada pelas novas agências norte-americanas, que usavam intensivamente o uso de ilustrações junto a longos textos para persuadir os consumidores. O uso da imagem era usada de forma subalterna, como um recurso visual para exibir o produto a população, em grande parte analfabeta.



1922: Primeiro Anúncio Leite Moça Nestle

Escritores e artistas importantes da época como Cassiano Ricardo, Olavo Bilac e Di Cavalcanti foram personagens importantes para elevar a qualidade técnica e estética do anúncios nas publicações de revistas artísticas e literárias.

Nos dias atuais as agências optam pelo uso da fotografia ou linguagens híbridas, devido ao fato de que as ilustrações foram percussoras. A partir dos anos 1930 e 1940, a fotografia passou a ser uma das principais linguagens imagéticas da estética publicitária.



1º de Janeiro de 1924: Ilustração Art Nouveau na revista A Cigarra



REFERÊNCIAS:


Livros:

- Uma História da Propaganda Brasileira de Pyr Marcondes

Material Didático:

- Das Ilustrações às Imagens Técnicas de Fabio Henrique Ciquini

- Do Registro a Sedução: Os primeiros Tempos da Fotografia na Publicidade
Brasileira de Daniela Palma

- Fotografia e Publicidade: Primeiro Ato de Daniela Palma